AS TRÊS IDADES NOS COABITAM · UMA HISTÓRIA REAL

Testemunho
da Cris

Na voz de quem ficou de pé
— Cristiane S. R. Mendanha

Este não é apenas o prefácio de um livro. É a voz de quem atravessou a história que algumas páginas tentam compreender.

Ouça o prefácio em voz alta A voz é gerada pelo próprio navegador/dispositivo.
Leia devagar. Há trechos que falam de amor, traição, dependência emocional, limites, fé, perdão e mudança. O texto abaixo é apresentado integralmente, na voz de Cristiane.
01
UM TRECHO DA JORNADAA menina e o sonho

Toda menina carrega dentro de si um sonho de amor. Eu não era diferente. Cresci acreditando que o amor seria lindo, seguro, cheio de cuidado — como nas histórias que a gente imagina antes de conhecer a vida de verdade. Nos conhecemos quando eu tinha apenas 16 anos. Eu era jovem, cheia de sonhos. Foi em uma festa de bairro. Naquele dia, eu nem queria ir, mas minhas amigas insistiram tanto que resolvi aparecer. Três rapazes tentaram dançar comigo naquela noite. Neguei os dois primeiros. No terceiro, por algum motivo que até hoje não sei explicar, aceitei. Eu não imaginava que aquele encontro mudaria toda a minha história.

No começo, tudo parecia lindo. Eram presentes, passeios, palavras bonitas e mensagens de amor nas rádios locais. Ele gravava o locutor dizendo que me amava e me presenteava com fitas K7 cheias de juras. Em datas especiais, chegavam até quatro presentes de uma vez. Para uma menina de 16 anos, aquilo parecia a confirmação de que eu havia encontrado o amor que sonhava. Eu me sentia especial, escolhida, amada.

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Eu me sentia especial, escolhida, amada.

Cristiane quando criança
A menina que sonhava com um amor seguro — e que continuaria presente em muitas das escolhas emocionais da vida adulta.

Hoje, olhando para trás, consigo enxergar o que naquela época ninguém ao nosso redor sabia nomear. Eu estava apaixonada por um homem com comportamentos profundamente narcisistas. Havia muita intensidade no começo, muita atenção, muitas promessas. Mas, quando eu acreditava que finalmente estava segura, os mesmos comportamentos voltavam. Toda vez que eu tentava terminar, ele reaparecia com mil promessas. Vinham novas declarações, mensagens nas rádios, fitas K7, presentes, juras de amor. E eu acreditava outra vez. Não porque fosse simplesmente ingênua. Havia dentro de mim uma menina que queria muito ser escolhida. Hoje percebo como a necessidade de ser amada pode nos fazer confundir intensidade com amor, insistência com cuidado e promessa com mudança.

Uma das cenas que mais me marcaram aconteceu no aniversário dele, quando já estávamos juntos havia cerca de dois anos. Eu queria presenteá-lo e escolhi um relógio. Fui para a festa com carinho e expectativa. Ao chegar, alguma coisa já parecia estranha. Vi uma faixa na rua: “Alan, eu te amo.” Era assinada por outra menina. Entrei e o encontrei dentro do quarto, abraçado com ela. Naquele instante, algo dentro de mim quebrou. Não era apenas ciúme. Era a sensação de não ser vista, de não ser importante, de estar presente e, ao mesmo tempo, ser excluída da própria história. Deixei o presente e fui embora. Nem um obrigado ouvi.

Mesmo assim, o ciclo continuou. Alan sabia conversar, convencer, prometer. E eu acabava voltando. Havia momentos em que eu já não sabia dizer o que doía mais: a traição ou perceber que o sonho daquela menina de 16 anos estava sendo destruído. O que havia começado como um sonho de amor começava a se transformar em um pesadelo. Mas eu ainda não compreendia por que era tão difícil sair.

02
UM TRECHO DA JORNADAQuando a vida ficou maior que o sonho

Depois engravidei. Aos três meses de gravidez, Alan sofreu um grave acidente. Era tarde da noite e, quase todos os dias, ele me buscava na escola. Naquela noite, fui até um orelhão tentar ligar, mas a chamada não completava. Quando voltei, ouvi um barulho muito forte. Algumas pessoas começaram a se juntar, e meu coração apertou antes mesmo de eu saber o que havia acontecido. Cheguei mais perto e o vi estirado no chão. Desesperei. Naquele momento, tudo o que tínhamos vivido desapareceu por alguns instantes. Eu só conseguia pensar que aquilo não podia ser o fim. Um conhecido passou e conseguiu levá-lo ao hospital. Eu chorava, orava e pensava no nosso filho. Dizia a Deus que aquela criança não poderia crescer sem o pai. Foram dias de medo, choro e angústia. Graças a Deus, ele se recuperou, e eu passei grande parte daquele período cuidando dele.

Quando nosso filho, Christian, nasceu, resolvemos morar juntos. Eu queria acreditar que agora seríamos uma família. Mas os mesmos padrões continuaram. Ele saía, sumia, e eu ficava em casa com um bebê nos braços sem saber onde ele estava. Até que um dia ficou três dias sem voltar. Eu já estava desesperada. Procurei a mãe dele e, juntas, começamos a procurar. Fomos a hospitais, ao IML e a outros lugares, sem saber sequer se ele estava vivo. Até que apareceu. Como se nada tivesse acontecido.

Aquilo foi um limite para mim. Chamei meu tio para me ajudar a pegar minhas coisas e voltei para a casa da minha mãe. Eu não aguentava mais viver daquele jeito. Ainda assim, a separação emocional não aconteceu de uma única vez. Houve idas e vindas, promessas, tentativas de reconciliação. Romper um vínculo construído entre sonho, dor e esperança é muito mais difícil do que simplesmente arrumar as malas.

Quando Christian já tinha por volta de dois anos, minhas amigas me contaram que Alan estava com outras meninas. Fui questioná-lo. Disse que não aguentava mais. Perguntei se aquilo era verdade. E a resposta dele nunca saiu da minha memória: “Você não sabe de nada. Eu tenho é outro filho registrado.” Meu mundo desabou. Descobri que ele havia engravidado outra mulher enquanto eu ainda estava de resguardo do nosso filho. Aquilo não era mais uma suspeita, uma promessa quebrada ou uma ausência. Era uma realidade que eu não conseguia mais negar.

03
UM TRECHO DA JORNADAO não que precisou ser maior

Foi quando decidi que precisava parar. Disse que não voltaria, nem se ele fosse o último homem da face da Terra. Dessa vez, o meu “não” precisava ser maior do que a minha vontade de acreditar nas promessas. Ele tentou voltar. Houve noites em que pulou o muro. Houve momentos em que levou a própria mãe, que já havia sofrido um AVC, para conversar comigo. Eu chorei muito. Perdi peso. Em alguns dias, a dor parecia física. Quando ele vinha buscar Christian, eu evitava ir ao portão. Mandava outra pessoa entregar nosso filho. Eu sabia que ainda existia dentro de mim uma parte que poderia fraquejar.

Mas há algo que poucas pessoas sabem. Eu nunca deixei de carregar a foto dele dentro da minha Bíblia. Não para alimentar a saudade. Para orar. Eu não pedia a Deus que ele mudasse para voltar para mim. Pedia que Deus transformasse o pai do meu filho para que Christian pudesse ter um pai. Uma criança não escolhe a história em que nasce e não deve pagar pela imaturidade dos adultos.

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Uma criança não escolhe a história em que nasce e não deve pagar pela imaturidade dos adultos.

04
UM TRECHO DA JORNADADistância, oração e mudança

Com o tempo, Alan foi para os Estados Unidos e eu permaneci em Goiânia. Christian perguntava: “Cadê o papai?” E aquilo doía. Meu sonho sempre tinha sido construir uma família. Ao mesmo tempo, eu continuava pedindo a Deus que colocasse na minha vida um homem que O servisse. Eu jamais imaginava que aquele homem poderia ser o próprio pai do meu filho — transformado.

Alan ligava algumas vezes. Até que um dia eu mesma liguei. Eu e uma prima estávamos planejando ir para os Estados Unidos, e resolvi pedir algumas orientações. Conversa vai, conversa vem, minha prima desistiu da viagem. Mas nossas conversas continuaram. Ele me contou sobre o último relacionamento que havia vivido antes de partir e sobre mais uma gravidez que havia deixado para trás. A menina chegou a ir para os Estados Unidos, mas decidiu não continuar o relacionamento com ele.

Memória pessoal de Cristiane ligada ao período da história nos Estados Unidos
Uma memória da história que atravessou distância, tempo, escolhas e mudança.

Pela primeira vez, porém, quando Alan falou comigo sobre tudo aquilo, percebi algo diferente. Ele não parecia estar apenas tentando me convencer. Havia arrependimento. Ele estava firme na igreja, servindo como diácono em uma Igreja do Evangelho Quadrangular em Worcester, Massachusetts. Aos poucos, comecei a perceber que havia alguma coisa diferente do outro lado da linha. Não eram apenas promessas bonitas. O jeito de falar havia mudado. Os assuntos haviam mudado. A forma de enxergar a vida havia mudado.

Namoramos pelo telefone durante cerca de um ano e meio. E aquela é uma das coisas mais surpreendentes da nossa história: o homem que eu tanto havia pedido a Deus talvez estivesse surgindo justamente naquele que um dia mais me feriu. Tentei conseguir o visto para ir aos Estados Unidos. Foi negado.

Algum tempo depois, numa noite, Alan me ligou e fez uma pergunta. Disse que poderia permanecer mais tempo nos Estados Unidos, trabalhar e tentar voltar com uma condição financeira melhor. Ou poderia voltar logo e nós começaríamos praticamente do zero. Ele perguntou: “O que você prefere?” Eu respondi que preferia que ele voltasse. Eu não sabia quanto tempo de vida teríamos. Queria que pudéssemos construir nossa família, criar Christian juntos e viver aquilo que o dinheiro, por maior que fosse, não poderia comprar de volta: tempo.

05
UM TRECHO DA JORNADAUma nova história

Ele voltou para o Brasil. Nós nos casamos. E começamos uma nova história.

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Ele voltou para o Brasil. Nós nos casamos. E começamos uma nova história.

Fomos morar no Espírito Santo e foi lá que Deus nos presenteou com nossa filha, Milleny — com dois L e Y no final, como ela gosta de frisar. Minha menina amada. Tive o privilégio de apresentá-la no altar de Deus e consagrá-la a Jesus.

Foi também no Espírito Santo que vivi algo que nunca havia experimentado: escassez. Na casa dos meus pais, minhas necessidades sempre haviam sido supridas. Eu não conhecia aquela realidade de contar moedas, improvisar, começar do zero e, muitas vezes, não saber exatamente como seria o dia seguinte. Mas, curiosamente, nunca pensei em desistir. Porque, enquanto algumas coisas nos faltavam, outras começavam a existir diante dos meus olhos.

Eu via o pai que Alan estava se tornando. Lembro dele improvisando um pequeno campinho de futebol no quintal para brincar com Christian e passar tempo com ele. Lembro dele sentando para jogar videogame com o filho, mesmo sem gostar tanto e sem ter muita habilidade. Talvez alguém olhe para isso e veja apenas um pai jogando bola ou videogame com o filho. Eu via muito mais. Eu havia passado anos ajoelhada, com a foto daquele homem dentro da Bíblia, pedindo a Deus que Christian tivesse um pai. Agora eu estava vendo minha oração correr naquele campinho improvisado. Estava vendo minha oração sentada diante de um videogame. Quando o dinheiro faltava, a presença se tornou uma das nossas maiores riquezas.

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Quando o dinheiro faltava, a presença se tornou uma das nossas maiores riquezas.

E aquilo me realizava. Não porque tudo estivesse perfeito. Não estava. Mas porque eu já não estava ao lado do homem que simplesmente prometia ser diferente. Eu começava a viver ao lado de um homem que fazia coisas diferentes.

Moramos no Espírito Santo por onze anos. Passamos por fases difíceis, recomeçamos do zero mais de uma vez, enfrentamos escassez e frustrações. Mas Deus sempre nos sustentou. E nossa família continuou sendo construída. Hoje vivemos em Goiânia. Completamos 21 anos de casamento.

Christian e Milleny já são adultos. E talvez uma das maiores lições que uma mãe aprende seja esta: criar filhos também é aprender a soltá-los. Eles crescem. Fazem escolhas. Descobrem o mundo. Encontram caminhos que nem sempre conseguimos compreender. Às vezes seguem por estradas que apertam o nosso coração. Mas aprendi que amor não é controle. Amor é presença, oração e porta aberta.

Durante muitos anos, carreguei a foto do pai deles dentro da minha Bíblia. Hoje, a foto dos meus filhos também está lá. E continuo orando. Continuo intercedendo por Christian, por Milleny, pela nossa família. Não para controlar os caminhos deles, mas para que nunca se esqueçam de quem são, de onde vieram e do amor que sempre terão esperando por eles.

Filhos podem crescer. Podem mudar de endereço. Podem atravessar fases. Podem até seguir caminhos diferentes daqueles que imaginamos para eles. Mas nunca perdem o lugar que têm no coração de uma mãe. E, se um dia precisarem se lembrar disso, quero que saibam: casa não é o lugar de onde você nunca sai. Casa é o lugar onde o amor nunca fecha a porta.

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Casa é o lugar onde o amor nunca fecha a porta.

Quando olho para Christian e Milleny hoje, vejo muito mais do que nossos filhos adultos. Vejo frutos. Vejo Christian construindo a própria vida e carregando valores que começaram a ser plantados em dias em que não tínhamos quase nada. Vejo Milleny encontrando seu próprio caminho, e meu coração de mãe continua dizendo silenciosamente: você sempre terá para onde voltar.

06
UM TRECHO DA JORNADAO perdão que não apaga

E percebo que talvez um dos maiores frutos de tudo o que vivemos tenha sido o perdão. Perdoar não apagou o homem que Alan foi. Mas permitiu que eu conhecesse o homem que ele poderia se tornar. E permitiu que nossos filhos conhecessem um pai diferente daquele que, um dia, eu precisei procurar em hospitais e no IML. O perdão não mudou o nosso passado. Ele mudou o futuro da nossa família.

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O perdão não mudou o nosso passado. Ele mudou o futuro da nossa família.

Talvez, depois de ler tudo isso, alguém se pergunte: como você conseguiu perdoar? Eu aprendi que perdoar não é esquecer. Eu não apaguei minha história. Não finjo que nada aconteceu. Eu me lembro. Mas decidi não transformar a lembrança em arma.

Em 21 anos de casamento, nunca usei o passado para feri-lo em uma discussão. Nunca joguei na cara dele aquilo que um dia me fez. Não porque não tenha acontecido. Mas porque, para mim, perdoar foi decidir que o passado não teria o direito de governar o nosso presente. Perdão não é amnésia. É uma decisão. É lembrar sem precisar reviver. É reconhecer a cicatriz sem abrir a ferida todos os dias. É escolher escrever uma nova história quando existe arrependimento, responsabilidade e mudança real.

E hoje eu colho frutos dessa decisão. Ter meus filhos próximos, vê-los se tornando adultos, construindo suas histórias e carregando aquilo que conseguimos ensinar em meio a tantos erros e recomeços é, para mim, uma confirmação de que o perdão não é fraqueza. Perdão é liberdade.

07
UM TRECHO DA JORNADAQuando o livro devolveu a história

Quando comecei a ler este livro, não li como uma leitora qualquer. Eu estava lendo uma história da qual fiz parte. Em alguns capítulos precisei parar, fechar o livro e respirar. Algumas cenas me fizeram voltar à menina de 16 anos. Outras me fizeram lembrar da jovem grávida no meio da rua, olhando para o homem que amava estirado no chão. Em outras, voltei à mulher com um bebê nos braços procurando o pai do filho em hospitais e no IML. Também voltei à mulher no Espírito Santo, começando de novo, descobrindo que era possível ter pouco dinheiro e, ainda assim, sentir que estava construindo algo de valor.

Houve lágrimas. Mas não eram lágrimas de mágoa. Eram lágrimas de quem olha para trás e percebe a distância entre quem nós éramos e quem nos tornamos.

Foi lendo que comecei a compreender as três idades de uma forma muito pessoal. Minha idade cronológica avançava. Meu corpo carregava o desgaste de noites mal dormidas, ansiedade e dor. Mas, em muitos momentos, minha idade emocional ainda estava presa naquela menina que queria ser escolhida e acreditava que, se amasse o suficiente, tudo poderia mudar.

E eu conseguia enxergar o mesmo no Alan. O documento dizia uma idade. O corpo crescia, sofria acidentes e carregava as consequências das escolhas. Mas, emocionalmente, muitas vezes quem reagia era um menino ferido, impulsivo, incapaz de medir o que causava nas pessoas ao redor. Isso não apaga a responsabilidade. Pelo contrário. Entender a origem de um comportamento não é justificá-lo. É descobrir onde a mudança precisa acontecer.

Talvez essa tenha sido uma das partes mais fortes da leitura para mim: compreender que amadurecer não é negar a criança ferida. É impedir que ela continue dirigindo a vida adulta.

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Amadurecer não é negar a criança ferida. É impedir que ela continue dirigindo a vida adulta.

Por isso, quando alguém diz que uma pessoa com comportamentos narcisistas nunca pode mudar, eu penso na nossa história. Não acredito que toda relação deva continuar. Não acredito que alguém deva permanecer onde está sendo destruído. Eu mesma precisei dizer não. Precisei sair. Precisei colocar limites. Meu perdão não começou quando aceitei Alan de volta. Começou quando consegui dizer não para o homem que ele era.

E só houve uma nova história porque, depois, encontrei alguém que estava disposto a assumir responsabilidade por aquilo que havia feito e construir uma maneira diferente de viver. Eu vi um homem com comportamentos profundamente narcisistas reconhecer seus padrões, buscar ajuda, amadurecer e construir uma nova forma de se relacionar. Para mim, nossa história mostra que padrões profundos podem ser trabalhados e transformados quando existem reconhecimento, responsabilidade, fé, processo e decisão.

Hoje, olhando para tudo o que vivemos, entendo que nossa história não foi construída na perfeição. Foi construída na graça de Deus. Em limites, quedas, escolhas, perdão e recomeços. Aquela menina de 16 anos não imaginava o quanto precisaria ser forte. Mas também não imaginava o quanto Deus poderia restaurar. Depois de 21 anos de casamento, posso dizer: não foi fácil. Mas valeu a pena.

Se você está começando este livro carregando feridas, talvez algumas páginas façam você se lembrar de coisas que preferia esquecer. Talvez você reconheça alguém que ama. Talvez reconheça a si mesmo. Não fuja da pergunta: quantos anos você tem quando a sua ferida assume o controle?

Foi essa pergunta que ajudou meu marido a entender a própria história. E, ao ler estas páginas, percebi que ela também tinha algo a ensinar a mim. Um dia carreguei a foto de um homem dentro da Bíblia e pedi a Deus que meu filho tivesse um pai. Hoje carrego meus filhos em minhas orações e continuo acreditando que Deus ainda escreve histórias que nós não conseguimos enxergar enquanto elas estão sendo escritas.

A pergunta que atravessa o livro

“Quantos anos você tem quando a sua ferida assume o controle?”

Deus escreveu uma nova história para nós. E talvez estas páginas sejam o começo de uma nova história para você.
— Com amor, fé e 21 anos de milagre, Cristiane S. R. Mendanha
Capa de As Três Idades Nos Coabitam
A HISTÓRIA CONTINUA NO LIVRO

Algumas feridas contam de onde viemos. A maturidade decide quem vai dirigir daqui para frente.

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